FANEROGAMIA
Eram muitas; um milhão...cem milhões de flores todas juntas,num maremoto aveludado como a alcova de um mandarim...
Vistas do alto,lembravam realmente um oceano, extenso e esquecido dos males do mundo...as flores...
Na maioria vermelhas,recorriam à memória da paixão desenfreada;suscitavam lembranças de momentos de intimidade quase lúdica,mas impregnados de calor e desejo...
Milhões de flores vermelhas,milhões de beijos,milhões de corpos que à meia luz se confundiam com suor e pele,pêlos e paz...
Muitas outras,amarelas como ouro de ribeirão,recordavam os encontros e as longas conversas em meio a noites curtas;reviam a saudade e a meiguice, a falta e a entrega carinhosa...
Milhões de beijos em parques,cinemas e portões;milhões de lágrimas mudas,sorrisos e mãos entrelaçadas...
Outras tantas,arroxeadas e purpurinadas como uma fantasia,lembravam os momentos de risos profundos,liberdade e vida...
Milhões de olhares fugidios,charme e incerteza;
Milhões de taças de vinho adocicado,vida e morte,totalidade e vazio...
Algumas centenas eram quase negras,um negror avermelhado e tinto como sangue...violáceo como uma traição...
Outras ainda,alaranjadas como uma brincadeira de roda,salpicavam o oceano fanerogâmico feito crianças quase felizes,lembrando que a inocência é pouca,mas ainda existe...
Mas uma apenas,em meio aos bilhões de pétalas desconhecidas,era branca e pequena... a mais bela entre as maravilhas do mar multicor;
Lembrando que o branco é a união de todas as cores ,todas as emoções,risos e dores que compõem o mural do mundo, da vida e de todos os oceanos existentes...
Uma única flor branca,ausente e presente,toda e tão...
...minha flor,minha branca flor...
Minha... você...
RICARDO
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