15 agosto 2010

Certa noite,na época de Natal...

São 4:28 da manhã.Meu sono,caprichoso como sempre,resolveu sair para um passeio...e me deixa assim,pensativo e ermo.
Escuto a chuva quase sonolenta como eu,a vagareza dos pingos encerrando uma linda viagem através dos céus.
Quantas vezes não “reencarna” um pingo d´água?
Dos céus à terra,da terra ao mar,e do mar aos céus;e no caminho alimentando a natureza e refrescando os sedentos.Que belo exemplo de evolução!!


Não posso deixar de pensar em como essa época do ano me incomoda!
Quando vejo “as luzes” natalinas,não posso me furtar à lembrança de que,apesar do céu ser o mesmo em todo o planeta e sobre todos os povos,as renas tem rota definida e,curiosamente para uma rena,evitam a miséria e a solidão do abandono.
Minha filha disse que o Natal tem uma certa magia.Eu concordei,mas perguntei-lhe se podia imaginar o que estaria fazendo uma criança em Kosovo,ou em Bagdá,na noite do Natal.
Conversamos sobre isso,e concluímos que a culpa não era do Papai Noel,mas de nós mesmos...nós mesmos...e da sociedade caótica e desumana que erigimos.
Que ironia!Uma humanidade...desumana!

A chuva parou ,e eu também.Me levanto com preguiça e percebo o corredor mais longo,inda que minha vida esteja mais curta.(Às vezes me apercebo que tenho menos tempo pela frente do que já vivi,e confesso que me preocupo em ser melhor do que já fui.)

Agora,com uma xícara de café fumegando à minha frente,me sinto melhor e mais desperto.
Penso que esse - o aroma instigante do café – faz parte daquele grupo de elementos que eu sempre chamei de “os pequenos prazeres da vida”.
Aqueles dos quais quase esquecemos – o abraço apertado, os lençois limpos;a melancia geladinha e o pão quentinho.Já reparou como são insubstituiveis e inimitáveis?
E me perdoe se estou divagando tanto.A bem da verdade,eu literalmente estou “jogando conversa fora” com você.Com alguém que gostaria que estivesse de verdade aqui – alguém que me escuta e que eu adoro escutar!

A chuva voltou e eu relembro de sua missão sagrada,e penso que talvez não possamos mudar o mundo,mas podemos tentar amenizar nosso dia-a-dia com pensamentos bons e uma filosofia simples.
Porque ninguém precisa de manuais ou bíblias com centenas de páginas para viver em harmonia.Basta acreditar que ela,a tal harmonia,sempre esteve presente e consequentemente ao nosso alcance.
Vivemos num meio onde a desarmonia às vezes se mostra sem o menor pudor ou discrição.E quando olhamos nos olhos das pessoas que a abrigam,embora não sintamos pena,não podemos deixar de pensar que “não precisava ser assim”!Não precisava...





Ricardo

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