02 agosto 2010

prá pensar...de novo...

O grilo e o golfinho (adaptado de uma fábula de Esopo)





Certo dia,observando os homens como sempre fazia,Esopo fez mais uma de suas constatações a respeito do genêro humano.
E como costumava fazer,transformou isso em fábula.

Foi assim...

Estava o grilo na beira de uma pedra,bem perto do mar.
Cantava,como é natural dos grilos,seu costumeiro Cri!Cri!Cri!,quando um grande e imponente golfinho apareceu.
_Que canto mavioso,exclamou o golfinho.Jamais tinha ouvido algo parecido.Cá,no mar,só temos o canto das baleias e o crocitar das gaivotas.
Diga-me,amiguinho,como podes cantar tão docemente?
_Ora,eu não sei.Todos nós,grilos,cantamos assim.
_Então,ponderou o cetáceo,deve ser algo que vocês comem.Do que se alimenta,pequenino?
_Eu? Bem...eu me alimento de orvalho!
_Só de orvalho,concluiu enlevado o golfinho.Pois bem,também comerei somente isso.Quero cantar tão belamente quanto tu.
E mergulhou,decidido, nas águas tépidas.

Passaram-se vários dias e mais uma vez estava lá o grilo,cantando seus acordes para o mar.
Quando de repente,num súbito,reaparece o golfinho.Magro,enfraquecido,mal podia falar.Com esforço,balbuciou ao grilo:
_Meu pequeno amiguinho,veja em que estado me encontro.A duas semanas que só me alimento de orvalho,mas só consegui enfraquecer ao invés de conseguir cantar como tu.Porque será?
O grilo ficou pensativo,mas logo declarou,determinado:
_Meu amigo marinho;és um golfinho,e não um grilo.Tu comes peixes,e jamais poderás cantar.Mas em contrapartida podes nadar velozmente,e se não cantas quando estás feliz é porque estás ocupado com malabarismos e piruetas assombrosas.Teus talentos são igualmente belos quanto o mais mavioso dos cantos.
Ao invés de cobiçar meus talentos,cuida de aprimorardes os teus.Faça valer aquilo que tens de bom e jamais,jamais penses que minhas qualidades são superiores às tuas.Mas é imperativo que as coloque em prática,ou passarão realmente desapercebidas aos olhos dos outros,e a ti mesmo.



O golfinho pensou por alguns minutos,e então mergulhou.
De onde estava o sábio grilo só pode ver,bem ao longe,um enorme e reluzente golfinho saltando, com energia renovada, as grandes ondas do mar azul.







O legendário Esopo viveu no século VI,antes de Cristo.Conta-se que era um escravo,liberto por seu senhor como prêmio por seu dom de narrar estórias sempre utilizando animais como metáforas – as chamadas “fábulas”,que dois milênios mais tarde inspirariam La Fontaine.
Suas estórias foram citadas em escritos de Heródoto e Platão,e fábulas como “A Raposa e as Uvas”,de sua autoria,são famosas até hoje.

Em tempo:
O cão atravessava a ponte com um pedaço de carne na boca.De repente vê,refletida na água,a imagem de si mesmo.A refração o faz parecer maior,tanto quanto o pedaço de carne.Iludido,o cão mergulha na água para roubar de quem imagina ser outro cão com um pedaço de carne maior.
Seu próprio pedaço,solto na água,segue para longe com a correnteza.O cão,boca cheia d’água,fica sem nada.
“Valoriza o que é teu,inda que o que é de outrem pareça melhor.Pois o que tens perto de si é o que possuis de verdade.” Esopo

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