29 janeiro 2011

Trabalhar é bom! Mas em tantos anos aprendi que o fator humano é o grande problema - pessoas são complicadas;às vezes complicadas demais.

Arkham 24-jan-09


De segunda a sexta o pensamento vem,automático,como um dos primeiros flashs da manhã – daqui a pouco estarei “lá”.
O lugar é bizarro.E se parece ser um ambiente de trabalho é apenas porque é chamado assim.Os nomes das coisas são poderosos,e por vezes nos fazem acreditar que algo não é realmente “aquilo que é”.
Confúcio já dizia a mais de dois milênios:
“_Na verdade,no mundo dos homens nada muda.Apenas troca-se os nomes das coisas e tem-se a impressão de que elas mudaram.”
E é por isso que os afro-brasileiros se acham menos negros, e “empurrar” um produto virou telemarketing.Afinal,melhor ser chamado de “camada de baixa renda” do que de “bando de pobres”.
Muda?
Me volta à lembrança aquele local meio isolado,meio feudo...
As pessoas resvalam entre si como abelhas enxameadas – próximas,mas dificilmente se tocando.
Você já dançou num campo minado?
Já andou em corda-bamba ou algo parecido?

Imagine um lugar onde nada é o que parece,suas palavras podem ser tão facilmente distorcidas quanto uma notícias de jornal.Um lugar onde,quando menos você espera,tudo volta contra você.
A palavra da vez é sobrevivência.
Dissimular-se ruidosamente,como percebo em alguns dos “internos” dessa comunidade kafkiana.Passar quase desapercebido,como constato em outros.
Melhor ainda - ser você,sem ser você.
Concordar,discordando.Aceitar,sem anuência.
No Universo mitológico do herói detetive Batman,existe um lugar chamado Arkham...Asilo Arkham.
Para lá são enviados seus oponentes extravagantes,como o Coringa e o Charada,ambos retratos metafóricos de uma sociedade doente.
E muitas vezes o próprio herói se pergunta se seu lugar também não seria lá dentro,com eles.
Como me pergunto se,nesse Arkham batizado de “Local de trabalho”,faço parte dessa fórmula como componente,e não como espectador.

Muitas vezes olho à minha volta e não reconheço nada familiar – nem coisas,nem pessoas.Me pergunto porque ainda estou ali,e curiosamente sempre encontro uma motivação – ou será uma...desculpa?
Quanto tempo será necessário permanecer sob uma tempestade até que esqueçamos que estamos molhados?
Quanto tempo precisamos fingir para os outros até que estejamos fingindo para nós mesmos?

Nesse Arkham tristemente real soberanos vazios ostentam coroas de papel,e as pessoas prosseguem elogiando a “roupa nova do imperador”.
Mas...o imperador está nú,diz a voz da razão.
Mas a razão apenas sussurra,e por conseguinte jamais é ouvida.


R


“Mas eu não quero encontrar gente louca,observou Alice.
Você não pode evitar isso,replicou o gato.Todos nós aqui somos loucos.Eu sou louco.Voce é louca!
Como sabe que eu sou louca? indagou Alice.
Deve ser,disse o gato,ou não teria vindo aqui.”


Alice in the Wonderland – Lewis Carrol

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