Como moedas cintilantes...
Se você olhar à noite para o céu,verá estrelas,sombras e corpos celestes.
Mas,se você olhá-lo com a acuidade de um astrônomo,poderá ver manchas e brilhos que possivelmente,se originaram a milhões,ou mesmo bilhões de anos.
Muitos deles,marcas da gênese de novas galáxias; novas possibilidades de vida,civilizações...e sonhos.
Incontáveis estrelas nascem todos os dias,mas incontáveis...morrem.
Parte desse brilho representa a agonia de milhares de corpos celestes,estrelas colidindo com estrelas; encerrando suas existências da mesma forma que um dia o nosso Sol também encerrará a sua.
Para tudo ,há um começo.
Para tudo,há um fim.Ou...uma transformação!
O Cosmos dá a todas as moléculas uma chance de glória.Quem é poeira hoje,talvez componha um planeta amanhã.
Quem é uma gigante como Aldebaran,talvez seja o solo onde brotará um cogumelo daqui a um bilhão de anos.
A grande beleza está aí,na imensidão da qual sequer nos apercebemos.
“Cada dia é uma dádiva”
Deitado em meu quarto,vi a andorinha bater de chofre no vidro invisível da janela.Frações de segundo entre a existência... e o fim dela.
A andorinha jazia,olhos entreabertos, sem consciência do que acontecera.
Foi rápido e quase indolor.
Inda hoje,na praia,parei para admirar aquele bando imenso de gaivotas prateadas.
Que grande família!
Voavam em singular uníssono,suas asas de argenta refletindo o Sol que,por sua vez,refletia no mar abaixo delas.
Todas juntas,como um bailado,moviam-se em guinadas rápidas e sincronizadas,o prateado das asas lembrando centenas de moedas cintilantes.
A natureza lógica dos seus movimentos mostrava um sentido racional e dinâmico,mas ainda assim eu me perguntava:
De onde viria tal lógica,matemática pura brotando da mente de animais que consideramos irracionais? O que é ser...racional?
Lembrei-me da andorinha.
Apesar da beleza,cada gaivota daquele bando encontraria o mesmo destino.
Mas observando o brilho mágico das asas prateadas,tive certeza de que não seria hoje...não hoje!
CADA DIA É UMA DÁDIVA !
RICARDO
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