OS PEQUENOS PRAZERES DA VIDA
Dia desses ganhei um momento especial em meio a um dia comum e até um tanto “chato”.
Dia desses...ganhei um sorriso!
Não ,não foi uma risada.Não foi uma manifestação de mera alegria ou euforia.
Não foi,não!!
Foi um Sorriso,com direito a letra maiúscula e com ares de nome próprio.
Num rosto momentaneamente leve,num misto de cumplicidade feliz e um apertar de mãos que começa nos olhos e termina nos lábios e numa expressão confiante,lá estava ele,meu bom momento do dia.
Passei as horas seguintes tentando definir aquele fugaz movimento,e resolvi inclui-lo entre “os pequenos prazeres da vida”.
Eu tenho muitos...todo mundo tem.O que falta às pessoas é enxergá-los.
Fiquei lembrando das minhas manhãs.Do cheiro que exala do café feito na hora,e como é bom sentir seu sabor característico despertando lentamente os sentidos.
É nessa hora que saio ao quintal de casa – meu pequeno pedacinho de mundo – e contemplo o novo dia que começa.Tenho certeza que ,embora semelhante,jamais será como ontem,ou anteontem,ou...
Os pequenos prazeres da vida.
Vou até o quarto de minha filha e a cubro.Como sempre está com as cobertas misturadas em um turbilhão que jaz em todos os lugares,menos sobre ela.
Olho-a longamente e sinto,de verdade,uma onda sísmica de carinho,um amor sem tempo e sem nenhuma condição.
Ao lado dela,um gatinho aquecido mostra que a linguagem do amor se manifesta entre todas as criaturas vivas.Se dá o que se recebe...se recebe o se que dá.É uma Lei inexorável da Natureza.
Sento no computador e viajo.Enquanto espero que o dia realmente desperte,exercito minha prece – escrever.Não importa sobre o que,nem para quem.
Diante das letras reconsidero meu mundo,festejo meus bons momentos,e,algumas vezes,chego a chorar pelos maus.Mas,eles fazem parte.
Nossa dor faz parte.Somos nossas dores,como somos nossas alegrias.
Precisamos de nossas lembranças e do nosso passado.
Só não podemos “viver” para ele.
Enquanto escrevo ouço os primeiros pássaros literalmente “gritando” que ainda estão aqui.Felizes,não carecem de deuses nem de vida eterna.Vivem o agora,criam seus filhos e compõem o mundo sem necessitar de “motivos”.
Me enche de orgulho a valentia desses infantes.
Um velho conhecido,um belo Bem-te-vi macho,canta todos os dias no mesmo mourão ao lado de casa.
Dei-lhe até um nome – Papillon,como no filme de Steve Mcqueen.
Para quem se lembra,Steve Mcqueen interpreta um presidiário que,após anos de sofrimento numa solitária,cerra os punhos nas grades e exclama aos seus carcereiros:
_Desgraçados,ainda estou vivo!
Igualzinho ao meu amigo Bem-te-vi,cantando sua liberdade para a humanidade que quer roubá-la dele.
Os pequenos prazeres da vida.
Enquanto busco outro gole de café,aproveito e olho minha filha novamente.
Meu amigo Papillon está berrando a plenos pulmões.
E a imagem daquele sorriso não me saiu mais da mente.
Percebo que não sou feliz.Ninguém deve ser feliz o tempo todo.
Mas sou sem dúvida,afortunado.
Minha vida é repleta de prazeres e bons momentos...os pequenos,e tão importantes,pequenos prazeres da vida.
Ricardo
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