03 junho 2010

O QUE ESTAMOS NOS TORNANDO?



Num mundo louco como o nosso freqüentemente chegamos a conclusões paradoxais e, por que não, absurdas!

Conectados que estamos à velocidades digitais,jamais o ser humano foi tão só.
Plugados num mundo no qual participamos à distância ,passamos os dias comovidos com a miséria e a injustiça,mas nada fazemos para acabar com elas.Os meios de comunicação,muito mais empresas do que serviços,exploram a podridão da sociedade para que nós, os comovidos , possamos passar o tempo em frente às tele-desgraças sem a menor preocupação, já que no sofá da sala “tudo vai bem,obrigado !”

Incrustrados numa política de comunicação que isola cada vez mais as pessoas,vemo-nos envolvidos em bate-papos tolos onde um teclado substitui a voz... ou mesmo um olhar.Não há mais diálogos – há Salas de Chat.
Inventamos o telefone para aproximar as pessoas através da fala;hoje usamos a linha telefônica para “conversar” através da escrita.Mas isso já existe a tempos – chama-se carta!

De que adianta a globalização do conhecimento,se não vemos resultados humanos – se nos sentimos cada vez mais solitários?
De que adianta sabermos que em Sri Lanka houve uma revolução ou existe escravidão de crianças? Do lado de cá do monitor, ou da tela da TV, a verdade nua e crua aparece pasteurizada e quase irreal, arrancando indignação de quem, protegido pela distância, lamenta as desgraças do mundo enquanto espera o jantar.
Esse alguém,esse “indignado” cidadão que consome a violência televisiva sob o pretexto de “estar informado” – esse alguém...somos nós!
Somos nós;nós que fazemos e vivemos um mundo de sexo virtual e de emotividade high-tech.
Somos nós que,plugados por fios,fugimos cada vez mais da presença real,do contato intimista;da sinceridade sem filtro.
Somos nós que contribuímos para a banalização da violência quando a vemos diariamente na mesa do café,e a esquecemos dez minutos depois.

O que estamos,afinal,nos tornando?

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