15 julho 2010

E se fosse ao contrário?

Eu assisti ao “Curioso caso de Benjamim Button!”
Sou fã de Brad Pitt; sou fã da glamorosa Kate Blanchett.Sou um fã de estórias que instigam e fazem a mente viajar até o impossível.Afinal,nesse mundo escandalosamente tecnológico,o impossível torna-se apenas mais uma fronteira – o que é totalmente inaceitável hoje,torna-se cotidiano amanhã!
O curioso caso de Benjamin Button – um homem que nasceu velho e foi remoçando,ano após ano,até morrer como um bebê no colo de quem um dia fora sua companheira!
E se fosse assim?
Dia desses escutei uma apresentadora de TV discorrer sobre essa questão,e me pareceu que que ela tinha mais a dizer do que sua direção permitia.Não importa a apresentadora agora,nem a emissora;todas são falhas,sem exceção! As emissoras,bem dito!!
Embora tenhamos de reconhecer que pessoas até muito capazes se rendem aos milhares de reais que as emissoras lhes oferecem,e vendem suas ideologias,certezas e direcionamentos intelectuais aos caprichos da mídia.E aos interesses podres de que o povo seja ignorante e vazio!
Como é bom que o povo seja imbecil! Como é bom que a Cláudia Leite seja uma referência,o PT seja uma “Igreja”, e a Dilma Roussef seja o arcanjo Miguel!
Eu simplesmente desprezo o PT e tudo que essa corja representa! Eu vivi em 1964; vivi anos de “Brasil Gigante”, com um suíno chamado Amaral Neto,o repórter,fazendo propaganda de como os militares eram os anjos salvadores!
Caras-pintadas...!Voces foram brincar de reclamar quando ninguém mais podia sumir num pau-de-arara nem no DOI-CODI!
Fantasias não mudam uma nação,e o Collor caiu porque não fez a lição de casa...não fez o que os interesses excusos queriam dele.E não deixou de fazer porque tinha caráter – deixou de fazer porque foi vaidoso,burro e egocêntrico.Ou porque fez as alianças erradas!( Por favor,não pensem que estou defendendo aquele pilantra do Collor – mas tem gente muito pior do que ele que continua por aí.Alguém lembra do nome “José Sarney”?)
Bom,o fato é que a estória de Benjamim Button me deu idéia de um texto.





Retornando...

Nossas vidas são estranhas,e de certa forma frustrantes.Nascemos,crescemos...aprendemos a trabalhar e,com sorte,aprendemos a amar e talvez tenhamos alguém que nos ama.Temos nossos filhos – alguns porque realmente desejam; outros porque a Natureza inventou uma maneira muito prazeirosa de fazê-los! Vamos viajar,pescar e tomar nossas bebedeiras ; rir e chorar milhares de vezes! Alguns são quase felizes; outros nem tanto.Alguns deixarão tudo muito cedo,outros verão a vida passar pelas grades de uma cela.
São tantas as possibilidades!
Mas uma coisa é comum a todos .Tocamos nossas vidas rumo aos caos – nós...morremos!
E se fosse ao contrário? E se fizéssemos o trajeto da vida “de trás prá frente”?
E se,como Benjamim Button,nascêssemos...velhos?

-------------------------------------------------------------------

Abro os olhos e estou lá,na cama de um hospital onde,inda a pouco, era apenas um ancião recém -falecido.
Os médicos me explicam que eu estava chegando ao mundo,e que em poucos dias posso ir para casa.
A Casa de Repouso me recebe com alegria e lá passo alguns anos de minha vida,remoçando lentamente.Enquanto sinto os dentes crescendo na boca,descubro novos prazeres – os alimentos que antes me faziam mal,agora só causam bem-estar.
Mais alguns anos e estou voltando para minha própria casa,onde descubro que preciso voltar ao trabalho – não sou mais um “aposentado”!
Os anos passam e conheço uma bela mulher...e me apaixono. Ela é loura,de ombros largos e seios fartos.Irresistível!
Nos casamos lá pelos trinta anos e logo vem a formatura da faculdade,e eu sempre mais jovem e mais disposto. Aí o trote de calouro,a cabeça raspada e aquela alegria de ser universitário! Chega o vestibular ; as baladas com a turma. As namoradas,as viagens com a galera...o primeiro beijo...
Já estou no primeiro colegial.
A barba cada vez mais rara desaparece de vez.E “aqueles ” pelinhos também vão,gradativamente,desaparecendo!
Aos poucos vou aprendendo a andar de bicicleta e passo muito tempo na rua,brincando e “batendo” bola com a turma do bairro.
Meu primeiro dia de aula! Que medo!
A primeira professora – alta,magra...meio brava.A primeira professora,assim com o primeiro beijo e o primeiro Valisére, a gente nunca esquece...
O tempo vai passando e num Natal qualquer ganho meu primeiro tico-tico.Os mais jovens talvez nem saibam o que é um tico-tico.É tipo um velocípede,que hoje em dia tem buzina,farol...até motorizado já tem!
Mais um pouco e estou lá,”voando” pela casa no andador.Passo as tardes no “chiqueirinho” e me entretenho durante horas com bolas e cubos de pelúcia.
Um pouco além,mamando no seio,sinto o coração tranqüilo e o retumbar do coração de minha mãe ritmando um adormecer inocente e pleno.
O tempo vai passando.O interior cálido do útero transmite paz e uma sonolência estranha –nunca sei se estou dormindo ou não!
Escuto tudo que há à minha volta,mas aquele coração batendo forte acima da minha cabeça sempre me desperta inesperado.
Vou encolhendo lentamente,cada vez mais rápido.E enquanto vou diminuindo até a completa inconsciência,de repente não sou mais eu.
E ao invés da vida acabar numa morte dura e por vezes sofrida,ela termina num maravilhoso...orgasmo!

Nenhum comentário:

Postar um comentário