28 agosto 2010

Tem gente que reclama que muitos textos meus carecem de romance.Mas não este!

Ancôra



Sinto-me um acorrentado.
Preso a cada minuto que percebo,longos que são,fazendo-nos mais e mais distantes.
Preso à lembrança de um beijo...de muitos beijos...e de inúmeros bons momentos em que sorrimos e por instantes pudemos até esquecer nossos próprios temores.

Tenho certeza de que eu era muito menor antes de conhecê-la.E que me sentia um barco desancorado,gozando uma liberdade vazia.
Aos poucos,e mesmo frente a todas nossas dificuldades,algo intenso e profundamente enraizado foi tomando forma e corpo.Mais olhos se abriram,mais odores começaram a compor meu mundo errático.Em certa altura,cheguei a sentir como se nossos corpos se perspassassem,cruzando órgãos e veias...mesclando-se.

Sentia,aportado e não mais sozinho, que o tempo de viajante errático acabara;que meu porto era seu peito,minha âncora seus olhos...meu clima,sua fonte inerente de luz.

Hoje não vejo não mais minha própria embarcação se afastando e mergulhando na obscuridade do mar profundo,mas sim meu porto,meu querido e ansiado porto...indo embora e deixando sonhos à deriva de um mar sombrio...

Para quem não acredita no amor,é difícil compreender essas palavras.Eu não acreditava, até você surgir e,desavisadamente,cruzar minha rota e amarrar minha âncora em seu coração.
Hoje sei que pode-se morrer de amor,e que existem sentimentos que nos acompanham por toda a vida.
Como...como posso viver sem voce?

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