A clausura dos próprios pensamentos e conceitos pode ser a mais cruel de todas as prisões.Frequentemente,pessoas vivem nos coibindo a liberdade sob o falso pretexto de que existe “perigo” no conhecimento e na consciência.Já existiu até uma maçã que representou e representa mais esse estandarte da ignorância humana.
Isso me lembra um trecho de um livro sobre Sidarta Gautama,um príncipe indiano que se tornaria um iluminado. –.O trecho do livro corre assim:
“ Sidarta estava deitado num sofá,dormitando. Uma aia massageava seus pés com óleo,outra aparava as unhas de sua mão esquerda. Yasodara ( sua esposa) estava perto,sentada em almofadas de seda. Os pavões que passavam por ali abriam suas caudas em respeito. O som de uma garota cantando e tocando cítara flutuava sobre o pátio,e Sidarta abriu os olhos. Era o som mais estranho e maravilhoso que já ouvira,uma canção de alegria,mas cantada com tristeza, embora Sidarta não soubesse o significado desta palavra.
Se conhecesse a saudade,teria reconhecido a emoção, mas ela soava apenas...estranho.
Levantou-se e foi até a balaustrada onde a moça cantava, e ergueu os olhos para ela. Yasodara aproximou-se e ele lhe perguntou o que era aquela canção.
Como que enganada por um deus traiçoeiro, ela cometeu um erro. Disse-lhe que a canção falava de uma terra distante, das maravilhas e belezas do país de onde vinha a garota, dos lagos e montanhas que não conseguia esquecer.
_Que estranho, disse ele._Existem tais lugares? Tão lindos e bons quanto aqui? – A idéia lhe parecia inconcebível._Eu nunca quis sair daqui!
Yasodara sentiu que havia estimulado nele uma perigosa curiosidade, e tentou cortá-la no nascedouro.
_Ouvi dizer que há apenas sofrimento atrás destes muros – disse ,e imediatamente percebeu que cometera um segundo erro. Ele virou-se para ela e disse:
_O que é sofrimento?
Yasodara desviou o olhar.
_Seu pai o ama muito,disse.Deu-nos tudo o que poderíamos desejar.Não há necessidade de ir a lugar nenhum quando se tens tanta beleza ao redor.
_É verdade,concordou Sidarta.Temos tudo e tudo é perfeito.Então,o que é esse meu sentimento? Se o mundo é tão lindo, por que nunca o vi? Não conheço minha própria cidade! Preciso ver o mundo com meus próprios olhos.
Yasodara começou a chorar e afastou-se dele, percebendo que essa nova curiosidade era um perigo para ambos.
Ela sabia que ele iria querer conhecer o mundo, custe o que custasse.”
Anos depois, Sidarta Gautama deixaria Capilavastu, na Índia, e sairia pelo mundo onde fundaria os preceitos do Budismo, e passaria a ser chamado “O Buda”.
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