26 setembro 2010

Domingo de chuva...

Hoje é domingo – chuvoso,tranqüilo e convidativo para um almoço em família,um filme especial...
Sabe aquele filme que você não vê a anos? Pode ser Titanic,ou até 2001,uma Odisséia no Espaço! Ou,já que chove...Cantando na Chuva?!
Dias assim nos remetem a um intimismo sereno,bem light. Foram dias de grandes acontecimentos esses últimos...e pequenos também!
Estamos vendo a possibilidade de “barrar”o rumo retrógrado e torpe com que a Política atual está mergulhando nossa já não tão eficiente...Democracia.Estamos vendo,mas a maioria não está enxergando!
Eu sempre disse que o voto é para o brasileiro o mesmo que uma espingarda carregada na mão de uma criança- uma arma poderosa,mas perigosa em mãos despreparadas.
Fico observando a janela respingada e as nuvens densas ao longo dos morros que cercam essa bela cidade. Sinto uma certa melancolia ao ver que ela cresceu em número de casas,pessoas e avenidas;não cresceu porém o ser humano que vive nela.As pessoas continuam “pequenas”,tomando conta da calçada do vizinho mas esquecendo a sua própria! Vigiando filhos de outros enquanto os seus estão aí,brincando de aprender como se queima uma pedra de crack,ou como se enrola um baseado.Tenho certeza que metade desses jovens “largados” são exatamente isso – largados.Eu vejo as amigas de minha filha adolescente – algumas delas por sua conta e risco aos quatorze,quinze anos!
Dias assim,chuvosos,nos fazem pensar em coisas que uma manhã de Sol mascara.Olho à minha volta e sinto minha casa,meu lar...um refúgio afinal de contas.É importante que dentro desse refúgio nos sintamos amparados e amados...tranquilos como os caçadores do Paleolítico se sentiam dentro de suas cavernas.A grosso modo,somos ainda tão primitivos quanto nosso ancestrais;e nossa casa bem pode ser nossa ...caverna! Por que não?
Eu conheço pessoas que não se sentem bem em sua cavernas.E conheço pessoas que não se sentem bem com seus “companheiros” de caverna.Algumas procuram outras cavernas – não temem o frio da Era Glacial nem o ataque de predadores.Essa pessoas “precisam” sentir que dirigem o próprio destino.Outras vão morando lá – o frio parece muito cortante,a natureza implacável e os grandes Tigres Dente-de-sabre ameaçadores demais! Não vale arriscar e quanto ao destino...sei lá!
É...domingos de chuva são emblemáticos e estranhos.
Olho para o pequeno sofá do escritório e vejo meu gato (Meu gato? Eu é que sou “dele”!).A paz dos felinos é desconcertante e mágica.São capazes de relaxar ao extremo,entregar-se a um momento de languidez do mesmo modo que ,em frações de segundo,despertam todo o organismo e aprontam-se para a ação.E quando despertam em tranqüilidade,iniciam seus alongamentos sistemáticos,feito um iogue experiente ou um hinduísta compenetrado.
Gosto de gatos- na verdade eu os admiro como seres cuja busca constante é o equilíbrio.Nada pode ser mais puro do que a carícia livre e sem servilismo dos gatos.Ele não vem quando você chama – vem quando sente necessário ,inda que muitas vezes sejam nossas as necessidades.O gato percebe a carência porque lida muito bem com ela – ele aprendeu a se “bastar” sem subjugar a ternura!
Domingo de chuva é assim.
Eu gosto,e inda que me orbite uma estranha solidão indolor sinto,momentaneamente,uma inaudível e discreta...serenidade.
Namaste

Nenhum comentário:

Postar um comentário