Pensando sózinho...
Eu estava lá,como tantas e tantas tardes esperando algo...ou alguma coisa acontecer...
Bem,acho que preciso dizer quem sou,antes de me arrastar em estórias pessoais e às vezes até pitorescas...sei lá...
Sou um detetive particular.Ah! você pensa que isso é coisa de filme americano,de estória em quadrinhos...de aventura sem senso e de lenda urbana.Creia-me ...nós,detetives ,existimos de verdade!
Somos contratados frequentemente para provarmos a existência de casos extra conjugais,mas também somos solicitados para avaliarmos situações de seguros de vida,de patrimônio e etc...
Aquela loura especial e extremamente sexy não constava na minha expectativa da semana.Ela entrou sem muita pompa,mas também sem modéstia,em meu escritório escondido no alto de um lance insano de escadas com degraus estreitos e insuportávelmente longos.
Eu estava lá,sentado na mesma mesa,a luz irritante do Sol ao fundo me lembrando que eu estava lá porque não poderia angariar um lugar melhor – alugueres são muitoooo caros!
A loura era modesta.Roupa discreta,maquiagem discreta...apenas os seios insinuantes se projetavam como um desafio,algo do tipo esfinge:Decifra-me ou devoro-te!
A roupa sem luxo não escondia o corpo envolvente e “clássico”. E defino clássico como um corpo que nos inspira – nós ,homens – a um momento de puro idílio e prazer.Há mulheres...e mulheres!
Ela sentou à minha frente e discorreu sobre um fato do qual desconhecia – ela não queria descobrir nada sobre ninguém;queria que eu a auxiliasse a encobrir seus próprios momentos de fugacidade.
Infeliz, segundo seus parâmetros,queria salvo conduto para um amor.
Seu pecado estava lá; era real; existia como existem tantas realidades veladas no dia-a-dia das pessoas....ser feliz ultrapassa os dogmas e atinge,incontineti,o coração dessas pessoas...
A bela mulher me discorreu sobre a vida,os sonhos e seus momentos de esperança na qual não viajava em sonhos,mas mantinha os sonhos intactos inda que fossem isso apenas...apenas sonhos.
Do lado de cá da mesa do escritório pífio,olhei longamente para a mulher à minha frente.Dizer o que?
Não podia dizer que a desejava lá,nesse incomum momento.Seus olhos vítreos e cintilantes me fitavam com constância;e ainda que escuros como um entardecer refletiam o doce da manhã e a permeabilidade clareante do Sol!
Como bom detetive,aleguei que faria o possível para atender seus anseios.Sinceramente,nem sei como.Deveria eu encobrir seus rastros,ou algo assim?
Cá do lado de minha mesa,confesso-me encantado.Profissional...puta vida,acho que não vai dar!
Olho de novo o decote incisivo que encobre sem eficiência os belos e discretos seios.
Vai ser um trabalho difícil...onde o seu elemento de pecado e segredo possa ser,afinal de contas,eu mesmo...
Ricardo
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