06 fevereiro 2011

VIAJANTES

A época: 70.000 A.C.

O lugar:Algum ponto nas encostas da Eurásia.

Dois indivíduos dividem o magro jantar – alguns insetos e tubérculos.

Dois homens? Duas mulheres? Um casal?

Não importa!

O fato é que os dois,embora estivessem nos primeiros degraus do que viria a ser uma linguagem,comunicam-se com eficiência e juntos,enquanto comem,observam o céu copiosamente estrelado.

Seus poderosos cérebros Homo Sapiens olham maravilhados para o infinito e lá,bem no íntimo,veêm brotar a pergunta que perseguiria sua espécie para sempre:

Quem somos nós?


Dezenas de vezes esses indivíduos se encontrariam.Da China,sob o Sol dos Mandarinatos,ao Egito de Osíris e Hórus.

E caminhariam sob o solo dos Aztecas e sob a luz do Renascentismo.

Às vezes homens,outras vezes um casal,unidos sempre por formas diferentes de sentimento ou união.

Como irmãos ou amigos,como amantes ou meros companheiros,retornariam sempre,reencontrando-se inda que por poucos meses,ou mesmo dias.

A lembrança viria sempre.E,quanto mais tempo convivessem,mais forte ela se tornaria,fazendo com que antigos sentimentos fossem relembrados.

Até hoje...até o século XXI!


Quantas vezes eles se cruzariam.
Mas,inda que morassem muito perto um do outro,eles jamais se veriam.
Inda que estudassem juntos,ainda sim o véu do esquecimento não seria retirado.
E inda que andassem pelas mesmas ruas,e pelos mesmos lugares,não reconheceriam o outro antes do momento certo.

E após trilharem suas vidas,e terem seus filhos,e aprenderem muito sobre o pouco que sabemos,os dois indivíduos logram ter se reencontrado.

Distantes de sua terra natal,distantes daquelas ruas nas quais eles teriam partilhado a juventude,os dois se reconhecem.E percebem que a velha amizade,o velho elo de tantos milênios continua exatamente o mesmo,como se o tempo não houvesse passado!

Quanto tempo? Não sei.

Para que? Pode ser que seja apenas um reencontro criado para que eles se lembrem que o outro sempre estará por perto.Mas pode ser que haja um propósito maior...

Mas quero crer que algo assim não acontece sem motivo.Não mesmo!

E talvez seja por isso que eu tenha,inesperadamente e com o júbilo das grandes paixões, encontrado...voce!

                                                                                                          R

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