06 maio 2011

Solidão 23/01/2...

A solidão é estranha.

Não dói,mas lembra-nos constantemente de sua existência,como dentes que precisam ser escovados .

Acendo as luzes do corredor e este me parece tão longo quanto o tempo,e às vezes levo anos para chegar à cozinha.

A solidão é uma arma branca apontada para o coração ,mas que confunde a mente e exaure os sentidos.

Nas noites em que ela se deita ao meu lado,seus carinhos secos roubam meu sono,e remetem minha visão a um teto gelado que,estranhamente,assume a função de painel onde desfilam lembranças e perguntas...principalmente perguntas...

A noite passa tão rápida quanto pode ser o vazio dessas perguntas sem respostas,e dessa angústia quase amiga.

O tempo...ah!O tempo...

Me olho longamente no espelho,e o tempo pára por uns breves instantes.Rugas novas me lembram que o tempo está fazendo seu trabalho,acontecendo à revelia dos meus sonhos não realizados...e quantos eles são...e como eram bons e leves quando eram possíveis.

Me lembro de um trecho de Henry Thoreau,que diz:

“ O mundo inteiro em que habitamos não é mais do que um ponto no espaço.

A que distância acreditais que moram os habitantes daquela estrela distante,e que nossas técnicas não nos permite mensurar ?

Por que haveria eu de me sentir só ? Não está nosso planeta na imensa Via-Láctea ??!

Qualquer pergunta que me colocais não parece,na verdade,importante.

Que tipo de espaço é o que separa os homens de seus semelhantes e o torna solitário ?

Descobri que nenhum movimento das pernas pode aproximar uma mente da outra.

Afinal, preferimos viver perto ? Mas... perto de quê ? ”


Quem sabe grande parte do amargor que às vezes brota de nossas palavras e atos derivem da solidão; e talvez essa mesma solidão seja uma constante muito maior do que supomos,para nós e para todas as mentes pensantes.

O homem é um ser naturalmente solitário.Seu intelecto o isola,na medida em que cada ser humano é único,e vê o mundo à sua própria maneira.

Solidão e tempo...irmãos e oponentes...completitude compulsória...

Tempo,espelhos e solidão...eis o fogo no qual ardemos...



                                                                                              R

Um comentário:

  1. Olá! Belo texto, de quem num dado momento escuta seu vazio interior: inquietações e escolhas. Solidão...e o melhor de tudo, é possível mudar! E ainda, seu blog ficou muito lindo, essencialmente Ricardo B.!!

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