18 abril 2010

Domingo...de novo!

Acordei de bode.Tive um sonho recorrente e aí me lembrei que uma amiga "do peito" encomendou um texto.Acho que não a satisfará,mas eu tentei.Se é autobiográfico? Não vou contar...

Vaticínio abril/2010

Todas as noites...todas,sem exceção tenho que vê-la inda que não peça!
Acordo sôfrego,como se aquela tivesse sido a primeira vez.
Na última noite foi desesperante.Vi e senti seus cabelos úmidos e perfumados do mesmo jeito que ficavam quando saia do banho,banho que muitas vezes compartilhávamos em sintonia mágica.
Rôto...é o nome do meu peito.E a cada despertar diário a mesma sensação do vazio estranho e da ferida aberta.
Rôto no dicionário significa maltrapilho.Mas também designa algo rompido,arrancado de seu estado natural por forças tão incombatíveis quanto as que rompem uma bolsa amniótica.
E lembrando dela me sinto assim...rompido!
Olho para o passado e pergunto se ele,o passado,precisa estar tão próximo.Porque muitas vezes não conseguimos deixá-lo no lugar ao qual pertence? Porque permitimos que nos assombre,e avance incontinenti sobre seu irmão mais novo,o presente,e afete o nascimento de seu outro irmão que ainda não chegou?
Penso nela novamente;e novamente vem a lembrança do café sem pressa logo pela manhã.Sinto o aroma da bebida se enebriando tolamente por entre o perfume do sabonete jovem,e lembro que tudo nela lembrava juventude e viço...criança grande !
A saudade é pungente como a lembrança – nem sei quem é mais forte! Mas tanto uma como outra conseguem a mesma proeza – esfarrapar meus sonhos e lembrar-me diáriamente de que amanhã estarei vendo-a novamente,os cabelos úmidos,o perfume... e o beijo que desperta.
Sempre o beijo!Como uma tortura digna de Prometeu,ele vem sempre,e enquanto deleita e floresce também fenece no vazio – ele me faz despertar;e então perceber que nada daquilo foi verdade!
Rôto,como sempre.Esfarrapado,novamente!
O presente rompido...o futuro fragmentado.
E inda que adormeça com idéias e planos,propostas e possibilidades,ela vem sempre.Me toca diáfana,mas perigosamente real.O perfume de banho,a pele suave que me remete a tardes infindáveis,amor e ternura,risos francos e assuntos intermináveis...vezes sem conta e sem cansaço!
Tudo é muito rápido nesses breves e oníricos momentos de felicidade.Tudo passa como o que realmente é – um sonho.Mas após o redundante beijo,a realidade do despertar remete de novo à certeza de que ele,o passado,mora ao lado e dorme profundamente...mas está ali,ao lado.
Rôto...e esfarrapado.Um vazio ...e um futuro imutável e contaminado pelas alegrias de um passado que insiste em ser um fantasma teimoso e cruel.
É minha escolha?
Minha mente escolheu o futuro a tempos – o coração simplesmente não entende!
E enquanto esses dois órgãos caprichosos não conseguem uma sintonia razoável eu prossigo assim...sonhando com beijos e perfumes,ansiando e frustrando;e navegando sem rumo entre o passado e o presente,e temeroso de que o futuro me reserve esse vaticínio – um peito rompido e um futuro em farrapos,simplesmente porque não se pode desligar uma poderosa e legítima...paixão!

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