A LUZ E A ESCURIDÃO
À luz de velas tenho a quase noção da profundidade de sua alma.
No claro-escuro meio que romântico,meio que mágico,percebo os nuances quase sempre dissimulados pela luz; nuances de graça e sensualidade, candura e força.
À luz de velas olho seus traços fugidios, e me detenho em sua boca, e me perco sem tempo em seu perfil deliciosamente amante, meu tempo e espaço perdidos enquanto finalmente garimpados de mim.
À luz de velas fito seus olhos, e finalmente percebo mais do que gemas no brilho profundo que os compõem – percebo esperança, que na luz se dilui e parece perdida; e é nessa esperança que ainda sinto fé.
No tremular da chama leve, metamorfoses ínfimas transformam momentos, incitam paixão e desejo, carinho e meiguice; revelação e mistério.
À luz de velas a vontade da vida com você torna-se um ato, muito além de um alento – torna-se finalidade,viagem sem volta,certeza e carma.
Na condição da meia-luz, o fogo torna-se pureza, a semi-obscuridade uma cúmplice.
O amor, mais que apaixonado, aflora à superfície da pele,transpira e exala a sensação de que vida e morte se resumem num momento, e que esse momento começou quando pela primeira vez me percebi entregue a um destino que ladeava o seu.
Na claridade tênue,o invasivo toma ares de magia, e cabelos escuros transformam-se num manto que sinto cobrindo meu peito, aquecendo com amor e gládio um coração que te deseja mais do que à própria luz.
À luz de velas vejo uma entidade mais que um corpo, uma fada além da mulher,uma verdade que preciso e respiro como o tudo e o todo.
Nesse momento quase onírico em que luz e trevas se misturam,tenho e sou você mais do que em qualquer outro tempo,e te amo mais e mais; e te desejo com volúpia desmedida,e vejo mais ainda que a vida merece ser sentida e querida com paixão.
Você é vida,e a vida é paixão quando você está presente.Principalmente quando te vejo assim; no lusco-fusco trêmulo de um crepitar à luz de velas....
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