Por que não falar nela...?
A morte...
A morte é uma coisa estranha.Convivemos com ela nos filmes,noticiários,no dia-a-dia...mas ela sempre nos choca.
Vivemos uma sociedade que compreende menos a morte do que a mil anos atrás.Quando execuções eram espetáculos públicos e um terço das mulheres morria nos partos, uma ferida era uma porta para uma infecção mortal...
A mil anos atrás,a morte era uma constante à vista de todos e,embora temida,era um cotidiano presente.
Hoje vemos a morte através de telas e imagens virtuais.Mas a curiosidade sobre ela é inevitável,e temos várias séries de TV cujo tema é a própria...Morte.Como a tememos,e como ela nos fascina...
Por outro lado,conheço pessoas que não vão a velórios,pois temem olhar para uma pessoa...morta! Instintivamente,sabemos que um dia seremos nós.
E por mais que inventemos mundos pós-morte,por mais que imaginemos céus e infernos,nosso instinto básico é a sobrevivência,e simplesmente não queremos morrer.Tememos a não-existência acima de qualquer coisa; tememos o não acordar mais...tememos o que iremos sentir quando nada mais sentirmos.
A evolução cobrou um preço alto pela inteligência. A consciência de nossa transitoriedade é frustrante e cruel.Buscamos um sentido para a vida,quando na verdade estamos buscando um sentido para a morte.Para um pássaro,que não entende que tudo termina, só existe um sentido lógico para a vida – vivê-la! Que sentido poderia ser maior?
Para os Homo sapiens no entanto viver não é suficiente,pois tudo termina geralmente sem aviso nem previsão , transformando qualquer luta ou conquista em algo inócuo diante da fatalidade.É preciso algo mais que,via de regra,não sabemos exatamente o que é!
Voce está na sua cama,hoje; levanta,toma seu banho,sai...e não mais volta.A roupa estará lá,secando no varal. A louça não lavada ficará na pia,junto com a conta que não será paga e o gato faminto que esperará,em vão, você voltar para casa.
É,a morte não tem graça! É a piada sem graça da Natureza,o acinte máximo à arrogância e soberbia do bicho-homem.Por mais que transformemos e desprezemos o mundo e outros que ainda iremos conquistar,a morte está aí,lembrando-nos de que somos todos iguais; mosquitos,samambaias ...baleias...todos sujeitos às mesmas leis inexoráveis dessa Natureza!
A medicina coloca a máxima absoluta: preservar a vida,acima de tudo! E inúmeras vezes condena pessoas à morte fria de uma UTI .Bem, a Medicina faz sua parte – evolui,se arma com técnicas cada vez mais sofisticadas; prolonga a vida no afã desesperado de driblar o inevitável...e perde o jogo,sempre.
Talvez,e eu disse apenas talvez,o grande segredo das coisas seja pensar mais como pássaros e procurar ver ,no viver, o sentido real de tudo.Talvez olhar mais para o microcosmos do nosso dia-a-dia do que para a grandiosidade de coisas que ainda estarão aqui depois de nós.Construir mais sonhos do que muralhas,brincar mais do que trabalhar...
Parece lugar-comum mas não sei expressar-me de outra maneira.
Somos infelizes porque pensamos na morte a todos os momentos,e deixamos a vida meio de lado.Pensamos em construir um futuro,em termos de bens materiais; compramos seguros de vida e comemos só coisas naturais porque,sabe como é,comida sintética pode nos matar um dia.E olha que tem gente que se priva de tantas coisas só para ser um defunto “em forma”,sem barriga e com o colesterol lá em baixo.Só que aquele câncer não quis saber disso!
É,a morte não tem graça! Mas a vida sim; ela pode fazer toda a diferença!!
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