16 junho 2010

Se o assunto é cerveja...

Tempos atrás uma amiga a quem quero muito bem e que também segue esse blog,me sugeriu um texto no qual comentasse algo sobre o prazer de tomar uma boa cerveja.Quem me conhece sabe que sou um apreciador - e me arrisco a intitular-me gourmet - dessa milenar,clássica e saborosa mistura de maltes,lúpulo e bons momentos.Curiosamente,esse pequeno texto remeteu-me a uma saudosa lembrança,a amigos com os quais dividi bons e espumantes momentos,e a uma época feliz!
Segue abaixo a sugestão de minha amiga,e o que ela inspirou.



Cá entre nós...
Crescí no mundo de Patópolis para mais tarde, na adolescência, morar pertinho de Petrópolis e Teresópolis. Mas foi recentemente que conhecí um “meia-idade”, apreciador nato e representante típico de...Cervejópolis – Terra da bávara bebida onde, entre outras curiosidades tudo se paga com uma “loira gelada”, “mulata gelada” ou ainda “ruiva gelada”, de acordo com o momento ou o desejo. E, sem dúvida alguma, ninguém melhor que o próprio para escrever e descrever, tanto sobre esta bebida refrescante, de múltiplos sabores, quanto sobre momentos diversos junto a esta companheira inseparável. As próximas linhas serão suas, se assim o desejar, naturalmente.
Beijo



Se o assunto é cerveja... 04/06/2010



Me lembro que muito tempo atrás eu reclamava que cerveja era “amarga”. Bom,me lembro também que torcia o nariz para um bom Camembert,ou um lombinho apimentado.Paladar de criança muda com a idade?
Bem,posso citar as latas de leite Moça que eu sorvia com a avidez de quem está crescendo ; ia na lata mesmo – era só abrir um buraquinho. Muda,sim!!
Felizmente a gente cresce ,e começa então a apreciar as coisas boas da gastronomia e do universo mágico das texturas,temperos e sabores.
Porque não dá para negar : comer - e beber - é muito bom!
Eu tinha um colega de trabalho muito parecido com o Barney Rubble.Baixinho,cabelos claros,meio bonachão igual ao eterno companheiro do Fred Flintstone. Bem,o nome desse colega era Antonio,e devido à sua estatura,Toninho.O mais curioso é que ele trabalhava com outro colega,o Flávio;alto,moreno e barrigudo,ou seja,o Fred! A visão dos dois juntos discutindo como marido e mulher frequentemente remetia ao famoso desenho de Hanna Barbera. Era,no mínimo,hilário.

Bem,o Toninho era um sujeito simplório,de paz com o mundo dele e suas possibilidades um tanto limitadas.E ele falava:
_O negócio é comer,beber e o resto que se dane! E todo mundo ria da ingenuidade do pequeno colega,para o qual o resto das coisas não importava muito.
Ele saia do trabalho no seu Fusquinha; passava no mercado e comprava às vezes uma costela bovina,às vezes uma carne de panela...
Aí parava no bar costumeiro e a dosinha da “boa” já estava lá,no balcão.Depois ia para casa e preparava – sempre ele – o jantar para si e para sua família de esposa e quatro filhos. Novela,jornal e cama.E duvido que naquela altura a esposa fizesse algo mais do que dormir quando deitava-se com ele,mais tarde.Dia seguinte estava lá,de novo no trabalho,o sorridente Toninho.
E confesso que hoje,duas décadas depois,entendo muito melhor a sabedoria do meu prosaico e caricato colega.
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Mas o assunto era cerveja,não é? Pois vou resumir de maneira simples – a cerveja,esta bebida planetária cuja origem rivaliza com o vinho,e como o vinho pode ser elaborada com ingredientes vários originando inusitados sabores e consistências...pois é,a cerveja,ao menos para mim, está enraizada na sabedoria Toninho de “levar a vida”!
É o prazer que faz a diferença entre viver...e existir.
Junto com a visão da arte,a lembrança de um filme emblemático; o aroma do bolo que a vovó fazia,e que nunca mais você sentiu igual...a música da adolescência,o primeiro beijo...
Cervejas,doces da infância;bons vinhos e grandes peças de teatro.Momentos de prazer lúdico na beira de uma lagoa...sexo sem culpa e sensibilidade para,simplesmente,viver o bom da vida.Que é uma só,é breve,e muito preciosa para “gastarmos” com maratonas atrás de riqueza materiais e tristezas sem fundamento.
Uma boa cerveja me faz lembrar do distante Toninho.E aí sim parece que ela se torna ainda mais saborosa e companheira!
Toninho...à sua saúde!! R

PS. Nem sei se o Toninho está vivo.Ele era vinte anos mais velho do que eu portanto está,ou estaria,beirando os setenta anos.Mas naquele “pique” que levava a vida,aposto que está curtindo uma aposentadoria tranqüila,junto à sua “dosinha” de redenção e suas carnes de panela.
Quanto ao Flávio,um bom amigo,faleceu prematuramente aos 42 anos.Nós três fizemos muita “sardinha na brasa” e lingüiças na churrasqueira improvisada no próprio trabalho.Porque naquela época,em dias de pouco serviço,serventes e doutores faziam “festinhas” juntos;tomavam cerveja e riam.E nunca ninguém se tornou menor ou maior por conta disso! Pensando bem...fazem exatos vinte anos! O que me faz relembrar da importância de vivermos o “importante”.
Passa tãooo rápido!

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