Manhã sem cor
Hoje é um dia desesperançado.O amanhecer,quase lúgubre,se arrasta por longas horas – o Sol,ao que parece,também não acordou feliz...
Porque será que há dias em que despertar parece uma obrigação? Dias que começam modorrentos e sem cor,como se nem dia fosse,mas uma paródia do futuro presente?
Porque será que há manhãs que não nos inspiram nada,além da mera sensação de sobre-vivência? E nas quais nos vemos sem força nem fraqueza,nem indo nem vindo...apenas sabendo que estamos lá – ou será que estamos aqui?
Não consigo evitar essa estranha sensação de fatalidade.O corpo pesa tanto quanto a mente,e se move lento como lentos são meus pensamentos,tanto quanto improdutivos.
E paira no ar aquela estranha impressão de que,se pouco falar,já terá sido muito.Se nada falar ,talvez consiga não estremecer o delicado e bizarro conjunto de emoções apáticas que geraram essa manhã.
Na rudeza quase ingênua desse estado de espírito,sinto-me frágil; e parece que o trovejar inaudível do balé de uma borboleta é suficiente para me fazer...chorar...
Em dias como hoje, lágrimas não parecem suficientes, tanto quanto são inúteis.Risos são apenas uma possibilidade, e ainda assim, também inúteis.
Em dias como hoje, lembro-me de você e de como enfrenta essas sensações.Como lidar com essa impressão de se estar “congelado” no tempo e espaço,fraco demais para ser feliz...fraco demais para ser infeliz...inércia...?
Tenho vontade de não ver nada nem ninguém,e tenho também a necessidade do ombro amado.Tenho fome, mas acho entediante comer.Não quero trabalhar,mas talvez seja melhor que o faça. O eco de mim mesmo incomoda e reforça meu cansaço!
Tenho vontade de estar só, mas a solidão me lembra um grito no interior de uma caverna, ecoando milhares de vezes sem chegar a lugar nenhum.
Sinto sua falta com uma dor quase física. A ausência da sua voz parece potencializar a sensação de vazio à minha volta.Sinto seu cheiro nos travesseiros como parece que sinto em meu corpo...o sal do seu suor ainda tempera minha boca e meus devaneios...agora quase consegui lembrar meu nome...
Ou teu nome...nem sei...
Onde estou?
Ricardo
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