29 abril 2010

Torre de papel 2004-11-01




O garotão até que chegou cedo.Dia de prova,último bimestre...falta pouco.
A carteira era sempre a mesma;nem no fundão,nem no gargarejo.Afinal,Rogério não era nem bom,nem mau aluno.Queria,apesar das dificuldades financeiras,estudar comunicação social – propaganda!

A prova veio.Eram 13:45 hs da tarde.
Às 14:00 hs,Rogério entregou a prova.Não havia respondido uma questão sequer.
A professora interveio:
_Rogério,voce vai entregar a prova? Por que? Não sabe nada,nenhuma questão?
_Sim,ele respondeu,eu sei.Mas quero entregar a prova.
_Rogério,vou ser obrigada a te dar zero nessa avaliação.
_Sim,eu sei.
_Voce pode perder o ano.
_Sim,eu sei,ele insistiu.
_Não vai se formar,nem poderá prestar vestibular.
_É verdade,concordou Rogério.
_Não vai estudar,portanto não vai ter bons empregos,com salários razoáveis.Sem salário,não poderá comprar a casa dos seus sonhos;nem sequer poderá casar-se e ter filhos.
_É,eu sei de tudo isso.
_Mas Rogério,ela insistiu,sem uma família voce jamais será um homem realizado.E sem realizar-se...
A conversa duraria horas se Rogério não emendasse:
_Quero quebrar essa corrente fictícia e ver no que vai dar !!

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Eis a forma como vivemos.Chame do que quiser;casualidade controlada,verticalização do processo de vida com previsibilidade relativa...sei lá!

Desde o Iluminismo que começamos a enxergar a vida como uma seqüência controlada e previsível de fatos.Fazemos algo porque esperamos um resultado específico,nem sempre condizente com aquilo que realmente somos.
Olhamos nossos filhos e criamos essa imagem tola do previsível.Seu filho precisa fazer faculdade,ter dinheiro e cumprir seu papel na sociedade.Ele não pode ser gay,nem espião,nem hippie – isso não é previsível.
Mas,e se ele for?
Hoje vivemos uma realidade tão estranha que somos capazes de imaginar nossos filhos como drogados antes de os imaginarmos como homossexuais.
Imaginamos que serão médicos,advogados ou arquitetos,mas não os vemos como mergulhadores de plataformas submarinas...nem estilistas...nem atores de filmes pornô.
Mas poderão ser...porque não?

As idéias de uma vida atrelada a certas atitudes surgiu com o Iluminismo,e com os ideais de liberdade (contraditório,não é?) da Revolução Francesa.
Até aquela época,ninguém poderia almejar uma melhora de vida,e ainda precisava conviver com invasões,mortes inesperadas e doenças aos montes.
Essa é uma das razões porque as execuções eram feita em praça pública,com a assistência de crianças e do povo em geral – a morte era uma constante banal,e poderia acontecer a qualquer momento,sob qualquer pretexto.
Os recém-nascidos morriam às centenas,e as pessoas na Idade Média eram consideradas velhas aos 40 anos de idade.
O Iluminismo e o Renascentismo trouxeram luz a uma época de trevas,e trouxeram esperança.Mas,para isso a sociedade teria de ser organizada como um relógio,atrelada portanto a normas e valores modernos – esse foi o estopim da sociedade como a aprendemos .
Esse relógio funcionou bem... até agora.
Eu costumo usar a instituição do casamento para explicar essa dinâmica.
A cem anos atrás,quando duas pessoas se casavam (de sexos diferentes,sempre!) ambas sabiam seus direitos e deveres;e viviam,talvez não felizes,mas cientes do seu papel e seu destino.Fictício ou não,funcionava.E hoje?

Os valores sob os quais crescemos pouco valem hoje.Não que fossem melhores – apenas existiam.
Essas “crianças” que hoje chamamos de jovens vivem uma realidade tristemente calcada na liberdade sem objetivo,no conhecimento sem critério,na banalização do sentimento.Sabem muitas coisas,mas desconhecem como julgar e utilizar esse conhecimento.A educação moderna privilegia a informação em detrimento da formação.
Num claro descaso à emoção,eles “ficam” uns com os outros como se nada tivesse real sentido. Sentem-se bem? Não,sentem-se sós!
Esses jovens são nossos filhos, sabia? Nossos filhos...

Quero deixar claro que não pretendo parecer saudosista e defensor dos valores do passado.Valores são baseados em símbolos,e já escrevi algo sobre isso.
A China sobreviveu,e sobrevive graças a um sistema rígido de valores.Ela tem 6000 anos de história. Se foi bom? Os chineses não são felizes;e agora?

No Ocidente já passamos por dezenas de impérios,dezenas de regimes,e pelo menos cinco religiões poderosas,que dominaram o panorama mundial por milênios.Quem gosta da matéria,sabe.

O Cristianismo verá seu próprio fim algum dia.Assim como o Zoroastrismo foi poderoso e caiu;o Judaísmo fundamentalista de Davi;e depois a religião greco-romana;depois o Cristianismo e hoje,crescendo assustadoramente,o Islamismo – tudo floresce e morre na roda instigante da História.
Porque não se trata de Deuses,mas sim de valores.O homem é palpável;os Deuses são apenas um sonho e uma ferramenta que muda através da História como mudaram governos,dinastias e impérios.
Até porque tudo está aí para ser,constantemente,desafiado.Foi para isso que,talvez, eu tenha entregue a prova em branco.
Foi para isso...



RICARDO
Como moedas cintilantes...





Se você olhar à noite para o céu,verá estrelas,sombras e corpos celestes.
Mas,se você olhá-lo com a acuidade de um astrônomo,poderá ver manchas e brilhos que possivelmente,se originaram a milhões,ou mesmo bilhões de anos.
Muitos deles,marcas da gênese de novas galáxias; novas possibilidades de vida,civilizações...e sonhos.
Incontáveis estrelas nascem todos os dias,mas incontáveis...morrem.
Parte desse brilho representa a agonia de milhares de corpos celestes,estrelas colidindo com estrelas; encerrando suas existências da mesma forma que um dia o nosso Sol também encerrará a sua.
Para tudo ,há um começo.
Para tudo,há um fim.Ou...uma transformação!
O Cosmos dá a todas as moléculas uma chance de glória.Quem é poeira hoje,talvez componha um planeta amanhã.
Quem é uma gigante como Aldebaran,talvez seja o solo onde brotará um cogumelo daqui a um bilhão de anos.


A grande beleza está aí,na imensidão da qual sequer nos apercebemos.



“Cada dia é uma dádiva”




Deitado em meu quarto,vi a andorinha bater de chofre no vidro invisível da janela.Frações de segundo entre a existência... e o fim dela.
A andorinha jazia,olhos entreabertos, sem consciência do que acontecera.
Foi rápido e quase indolor.


Inda hoje,na praia,parei para admirar aquele bando imenso de gaivotas prateadas.
Que grande família!

Voavam em singular uníssono,suas asas de argenta refletindo o Sol que,por sua vez,refletia no mar abaixo delas.
Todas juntas,como um bailado,moviam-se em guinadas rápidas e sincronizadas,o prateado das asas lembrando centenas de moedas cintilantes.

A natureza lógica dos seus movimentos mostrava um sentido racional e dinâmico,mas ainda assim eu me perguntava:
De onde viria tal lógica,matemática pura brotando da mente de animais que consideramos irracionais? O que é ser...racional?

Lembrei-me da andorinha.
Apesar da beleza,cada gaivota daquele bando encontraria o mesmo destino.
Mas observando o brilho mágico das asas prateadas,tive certeza de que não seria hoje...não hoje!


CADA DIA É UMA DÁDIVA !



RICARDO

22 abril 2010

Muito tempo atrás uma senhorinha cismou de me chamar de "pastel".Não sei bem o que significa ser pastel - eu só conheço os prosaicos pastéis de vento que vende na feira!
Aí surgiu essa bobeira que segue adiante.E depois disso,ela nunca mais me chamou de...pastel! Bom,eu acho que não!!



COUTINHO,O PASTEL



Esta é a estória de uma personagem diferente – Coutinho,o pastel!

Coutinho nasceu igual a qualquer pastel por aí – nasceu de queijo.
Pouca gente sabe mas pastel de queijo é o estágio “básico” da vida de um pastel.
Todo pastel nasce assim – de queijo.
Ah!por favor;não confunda esse pastel com aquele que muitas vezes usamos para denegrir a imagem de outrem,tipo “pô cara ,tu é o maior pastel!”
Esse pastel versão “xingamento” é até feio,pensando bem.
Ademais, para ser sincero,eu mesmo gosto muito de pastel.
Uma porçãozinha de pastéis de camarão regado a chopp geladinho.Hummm...

Voltando ao Coutinho,ele era um pastel determinado.Queria subir na vida.
Não se via deixando esse mundo em direção ao Paraíso dos Estômagos Vorazes sem que fosse algo mais do que um mero e insosso pastel de queijo.

E ,como vale em qualquer mundo,se quer melhorar de vida estude,roube ou entre para a política (ou seja,roube...também!).

Coutinho pesou todas essas possibilidades.

Roubar,traficar...não mesmo!Seus pais sempre foram sérios e decentes.Mamãe Coutinho estava congelada na orgulhosa posição de pastel de pizza; e Papi Coutinho já fora para o paraíso sob a forma elegante de um pastel de frango com catupiry.

Entrar para a política...melhor não!
Coutinho não tinha a língua presa,nem estava metido com lideranças sindicais.
Até porque,Coutinho podia até ser um “pastel” (lembra?),mas era inteligente e decidido.
Resolveu estudar!!

Coutinho prestou vestibular e entrou para a faculdade de Gastronomia.
Aprendeu a fazer massa de pastel – adorou a cachacinha da receita – tanto para fritar quanto para o forno.
Estudou termodinâmica,química inorgânica e Mecânica Quântica de Temperos.
Nas aulas de Botânica,mergulhou no mundo mágico dos sabores das ervas e essências.

Descobriu os segredos do amálgama dos sabores e graduou-se com louvor e uma casquinha croc-croc bem moreninha.
Ao sair da faculdade ostentando um belo crostolli como diploma,respirou fundo e declarou:
“Mundo ,eis-me aqui.Coutinho,chef de pastelaria,culinarista,e um orgulhoso “Pastel de Bacalhau”.E ninguém,ninguém mais vai me tratar como “ô mano,tu é mó pastel”!

Cê pensa que Coutinho foi parar em tabuleiro de feira?
Que nada!Dá um pulinho no Shopping Iguatemi,em Sampa.Lá tem uma butique de pastéis e salgados só prá gente bacana.Coutinho está lá,esperando pelo paraíso na boca de algum banqueiro ou madame,ou qualquer tipo metido o suficiente para pagar doze reais por um pastel e ainda acompanhar com uma taça de Veuve Cliquot.


Tô torcendo por ele.E você? Não?
Pô,tu é mesmo mó pastel!!





Coutinho ficou assim quando descobriu que ia “pinga” na sua massa.
Exagerou e...olha aí!



Ricardo
A LUZ E A ESCURIDÃO


À luz de velas tenho a quase noção da profundidade de sua alma.
No claro-escuro meio que romântico,meio que mágico,percebo os nuances quase sempre dissimulados pela luz; nuances de graça e sensualidade, candura e força.
À luz de velas olho seus traços fugidios, e me detenho em sua boca, e me perco sem tempo em seu perfil deliciosamente amante, meu tempo e espaço perdidos enquanto finalmente garimpados de mim.
À luz de velas fito seus olhos, e finalmente percebo mais do que gemas no brilho profundo que os compõem – percebo esperança, que na luz se dilui e parece perdida; e é nessa esperança que ainda sinto fé.
No tremular da chama leve, metamorfoses ínfimas transformam momentos, incitam paixão e desejo, carinho e meiguice; revelação e mistério.
À luz de velas a vontade da vida com você torna-se um ato, muito além de um alento – torna-se finalidade,viagem sem volta,certeza e carma.

Na condição da meia-luz, o fogo torna-se pureza, a semi-obscuridade uma cúmplice.
O amor, mais que apaixonado, aflora à superfície da pele,transpira e exala a sensação de que vida e morte se resumem num momento, e que esse momento começou quando pela primeira vez me percebi entregue a um destino que ladeava o seu.

Na claridade tênue,o invasivo toma ares de magia, e cabelos escuros transformam-se num manto que sinto cobrindo meu peito, aquecendo com amor e gládio um coração que te deseja mais do que à própria luz.

À luz de velas vejo uma entidade mais que um corpo, uma fada além da mulher,uma verdade que preciso e respiro como o tudo e o todo.
Nesse momento quase onírico em que luz e trevas se misturam,tenho e sou você mais do que em qualquer outro tempo,e te amo mais e mais; e te desejo com volúpia desmedida,e vejo mais ainda que a vida merece ser sentida e querida com paixão.

Você é vida,e a vida é paixão quando você está presente.Principalmente quando te vejo assim; no lusco-fusco trêmulo de um crepitar à luz de velas....



R

18 abril 2010

Domingo...de novo!

Acordei de bode.Tive um sonho recorrente e aí me lembrei que uma amiga "do peito" encomendou um texto.Acho que não a satisfará,mas eu tentei.Se é autobiográfico? Não vou contar...

Vaticínio abril/2010

Todas as noites...todas,sem exceção tenho que vê-la inda que não peça!
Acordo sôfrego,como se aquela tivesse sido a primeira vez.
Na última noite foi desesperante.Vi e senti seus cabelos úmidos e perfumados do mesmo jeito que ficavam quando saia do banho,banho que muitas vezes compartilhávamos em sintonia mágica.
Rôto...é o nome do meu peito.E a cada despertar diário a mesma sensação do vazio estranho e da ferida aberta.
Rôto no dicionário significa maltrapilho.Mas também designa algo rompido,arrancado de seu estado natural por forças tão incombatíveis quanto as que rompem uma bolsa amniótica.
E lembrando dela me sinto assim...rompido!
Olho para o passado e pergunto se ele,o passado,precisa estar tão próximo.Porque muitas vezes não conseguimos deixá-lo no lugar ao qual pertence? Porque permitimos que nos assombre,e avance incontinenti sobre seu irmão mais novo,o presente,e afete o nascimento de seu outro irmão que ainda não chegou?
Penso nela novamente;e novamente vem a lembrança do café sem pressa logo pela manhã.Sinto o aroma da bebida se enebriando tolamente por entre o perfume do sabonete jovem,e lembro que tudo nela lembrava juventude e viço...criança grande !
A saudade é pungente como a lembrança – nem sei quem é mais forte! Mas tanto uma como outra conseguem a mesma proeza – esfarrapar meus sonhos e lembrar-me diáriamente de que amanhã estarei vendo-a novamente,os cabelos úmidos,o perfume... e o beijo que desperta.
Sempre o beijo!Como uma tortura digna de Prometeu,ele vem sempre,e enquanto deleita e floresce também fenece no vazio – ele me faz despertar;e então perceber que nada daquilo foi verdade!
Rôto,como sempre.Esfarrapado,novamente!
O presente rompido...o futuro fragmentado.
E inda que adormeça com idéias e planos,propostas e possibilidades,ela vem sempre.Me toca diáfana,mas perigosamente real.O perfume de banho,a pele suave que me remete a tardes infindáveis,amor e ternura,risos francos e assuntos intermináveis...vezes sem conta e sem cansaço!
Tudo é muito rápido nesses breves e oníricos momentos de felicidade.Tudo passa como o que realmente é – um sonho.Mas após o redundante beijo,a realidade do despertar remete de novo à certeza de que ele,o passado,mora ao lado e dorme profundamente...mas está ali,ao lado.
Rôto...e esfarrapado.Um vazio ...e um futuro imutável e contaminado pelas alegrias de um passado que insiste em ser um fantasma teimoso e cruel.
É minha escolha?
Minha mente escolheu o futuro a tempos – o coração simplesmente não entende!
E enquanto esses dois órgãos caprichosos não conseguem uma sintonia razoável eu prossigo assim...sonhando com beijos e perfumes,ansiando e frustrando;e navegando sem rumo entre o passado e o presente,e temeroso de que o futuro me reserve esse vaticínio – um peito rompido e um futuro em farrapos,simplesmente porque não se pode desligar uma poderosa e legítima...paixão!

R

15 abril 2010

DESTINAÇÃO









Cézar Augusto era assim.
Aliás,Dr. Cézar Augusto.Advogado ,contador prático,profissional liberal; era assim que era conhecida essa figura mais do que popular.
Popular sim porque , lá pelo lado da Vila, quem morava era gente pobre;gente humilde que apesar de honesta e direita,sofria a descriminação do lugar.E diga-se de passagem,a vida lá não era fácil ,não.
Dr. Cézar, com o devido respeito, era assim. Meio gordo, meio baixo,jovial e sanguíneo;mais bom do que mau.Feito aquela gente toda que ,com ou sem diploma,vivia e sobrevivia no berço onde outrora tinha crescido a mãe,o pai ,o tio...o bairro de todos...
Teve a sorte e a teimosia de estudar.Diplomou-se em Direito e, todo mundo vaticinava:
_Agora o Cézar larga esse “muquifo”!Vai cê doto,e vai cê rico!

Conversa! O Cézar amava aquilo tudo;e tinha planos sérios e quase humanitários...
Ele tinha uma história.E se agora era um advogado,ainda assim continuava o Cézar que todo mundo gostava.


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Cézar,na verdade,sempre fora um solitário.
Único filho branco de uma família negra,descobriu cedo que a brancura se devia à genética da mãe biológica que doou-o, sem pensar, à sua mãe negra.
Sua mãe, Dona Zulmira! Negra,pobre,cheia de filhos; e o terceiro companheiro “também” batia nela,coisa que ela
escondia por vergonha.

Dona Zulmira,em meio a oito filhos pretinhos como seus ancestrais,criou com o mesmo amor um sujeito branco,gordinho e chorão - o tal do Dr. Cézar Augusto.
Cézar não amava sua mãe.Ele a idolatrava!E a mãe de ébano dizia:
_Meu filho é advogado!Ele é dotô!!!

E chorava,feliz,com mais dois filhos professores de Educação Física, negros e fortes ;e uma bela mulata que cursava Arquitetura.
Dona Zulmira era mais feliz do jamais imaginara ser! Sua “prole”iria conquistar o mundo do qual ele só “sonhara”!!!


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Cézar,vinte e quatro anos,foi morar só muito antes que sua mãe adotiva achasse conveniente.Tímido,trabalhava calado e se divertia quase às escondidas.Gente desocupada o taxava,sem cerimônias,de bicha enrustida.Outros ,mais ousados,diziam que ele tinha taras estranhas e tão bizarras que nem é bom comentar.
E o Cézar,calmo em sua sistemática usual,ria sem graça das estapafúrdias alcunhas e denominações de sua pessoa.

Pois foi vivendo nessa languidez sem tempo que o Cézar,um dia, sentiu-se mal.
Caiu doente feito passarinho;sem fome,sem voz,sem alento.Doença sem nome,
aflição vazia; todo mundo ali, vivendo e morrendo o Cézar, o Dr. do bairro , aquele meio bonachão,meio garoto...o que ele tinha?

Ninguém sabia!!





Cézar adoeceu de verdade.Infecção, virose; sabe lá...

No leito,doente,a Morte veio; meio sonho, meio febre.Encostou assim,soberana,na cama de Cézar:
_Vim te buscar ,humano.Tua hora chegou !!!

Cézar duvidou dos próprios sentidos:
_Como assim? O que é isso? Estou enlouquecendo? Ah! essa febre doida...
_Voce ouviu,mortal! Eu sou a Morte,e vim cumprir minha missão absoluta!

Cézar,meio dormindo,percebe que é verdade.Apesar da doença turvando a visão,pensa por alguns minutos.E então retruca,quase sem medo – e como bom advogado:

_Não posso ir. Tenho pessoas que ,nesse momento,precisam muito de mim.Defendo crianças maltratadas,mulheres espancadas e homens injustiçados.Tenho minha missão,assim como voce tem a sua.
Meu destino é esse!!
Não, não me leve sem que eu tenha feito algo pelo que é minha responsabilidade.
Quando pequeno,percebi cedo que fui um ser jogado no mundo,que deveria superar minhas próprias tendências,que precisaria ser mais do que esperavam de mim para chegar a ser aquilo que eu mesmo esperava de mim.
Cresci pelos meus próprios parâmetros,ascendi à idéia da realização levando em conta a capacidade de me dar ao mundo,sem me preocupar com a aceitação ,mas sim com os resultados.Fiz advocacia para defender o direito intrínseco,e não o manual de boas maneiras dos escoteiros.
Não me interessam divórcios de abonados,mas sim entender como se pode doar um filho como se fosse um cãozinho,e porque não se premiam mulheres como minha mãe Zulmira, ao invés de premiar-se jogadores de futebol!
E ademais,tenho meu irmão para defender.Ele é errado,eu sei! Mas sabemos que só erro de pobre é feio; de rico é deslize ou esperteza! Ele precisa de mim se quiser sair daquele inferno da prisão!
Para os ricos,psicólogos.Para os pobres,borracha!Quero combater essa máxima doentia!
Dona Morte,pense antes de cumprir seu legado.Pense,e me dê mais uma chance...por favor...

A Morte baixou a cabeça escondida pelo manto ébano.Pensou célere ,e num instante declarou,a voz quase eloqüente no rosto fantasmático:
_Tua retórica,humano... me convenceu.Está decidido!
Não virás comigo hoje.Mas saibas que,quando vier te buscar,me farei anunciar com um estrondo glorioso !!

E assim foi-se,silenciosa,a Morte.E novamente o tempo retomou seu rumo.




Cézar,acreditem ,casou e teve dois filhos.
Dois meninos,para orgulho de Dona Zulmira que acreditava no Destino,em Pai de Santo e no Vasco da Gama.
A mulher do Cézar,negra como a mãe,era correta e dedicada,exatamente o contrário do que se pensa das mulheres que nascem,crescem e vivem na periferia das grandes cidades.Seu nome era Iraci,o mesmo nome da sua bisavó .Iraci era assim,sensual e brejeira,ideal para o nosso conhecido Cézar.
Feliz com a bela esposa e seus dois filhos,Cezar mais ainda encontrava motivos para ser um idealista – um justiceiro do subúrbio,um homem especial por ser simplesmente um homem.

Até que, misteriosamente, Cezar adoeceu novamente.

Doente como jamais houvera estado,Cézar passou noites e noites acordado,às vezes meio que absorto em meio à febre alta,às vezes tonto pela medicação .
Dores terríveis corriam seu corpo como ferroadas, e sua vista turva nem lhe permitia enxergar quem, em vão, tentava lhe dar algum conforto.
Dias se passaram ,eternos...e vários meses se passaram.

Seis meses depois o Cézar,apesar de enfraquecido,começou a esboçar uma significativa melhora.
Foi melhorando,melhorando...até que, numa manhã de outono,Cézar levanta-se da cama...

_Enfim,hoje sinto-me realmente melhor.Acho que quero um bom banho e ,quem sabe,algo perfumado.
Estou até faminto! Quem sabe um pãozinho bem quentinho e um copão de café-com-leite...

Nosso bom advogado estava feliz.Sem tonturas,sem dores,um vencedor pela segunda vez! Cézar ensaboou o rosto e, lâmina em riste,começou a se barbear.

Mirou-se no espelho e ao fundo ,esvoaçante,a Morte surgiu por detrás das sombras:

_Prepara-te ,humano.Tua hora é esta e,em breve,estarás vagando pelo meu Reino!
_Mas...como assim? Que estória é essa de Reino?
_Verás por si mesmo.E lembra-te: a luz de teus caminhos será fornecida por teu coração.Quanto mais escuro ele for,mais enevoada será tua jornada.

Cézar se recusava a aceitar!
_Mas, mas..não foi assim que voce me disse que seria. Me disse que , quando fosse minha hora ,voce faria um estrondo!Lembra-se..hein! Lembra-se?

A Morte, gélida, não se abalou:
_E eu não fiz isso , mortal? És louco a ponto de acusar-me de mentir?
Não te lembras da febre que te estonteava e cuja origem nenhum médico descobriu?
Não te lembras das vertigens que te fazia recordar a infância,teus medos interiores, e teus próprios atos do passado?
Não te lembras que ,em meio a delírios,vias teu falecido pai verdadeiro;e tua mãe que jamais conhecestes e que ainda se encontra vagando pelo pior dos Mundos,o Mundo Material? E quando vistes teus avós longínguos, e teu futuro impossível?
Não lembras da minha irmã, a Dor, açoitando tua carne como brasa,dor cuja origem ninguém soube determinar?
Não consideras estrondo sentir a urina deixando teu corpo como ácido corrosivo? Ou o odor fétido do teu hálito que provocava náuseas até nas pessoas que mais te amam?
E meu irmão mais novo ,o Sono,não te abraçava diàriamente roubando-lhe a vida durante muitas horas todos os dias?


O homem,o Dr. Cézar,o Cézar;baixou a cabeça e refletiu longamente.
Uma lágrima densa e perolácea, apenas uma , rolou pelo rosto belo apesar dos trinta e seis anos.
Pensou nos filhos,na mulher,e na mãe negra que cheirava a banho e tinha os seios cansados de quem nutriu muito mais do que nutriu-se.
Impávido e quase sereno,aceitou a verdade da Suprema Entidade.Olhou seu rosto refletido pela última vez e , sentindo o sal no canto da boca ,limpou-se com o punho e respirou com saudade.
_Preciso perguntar algo antes de ir,mas imagino que respostas sejam privilégios de santos,papas ou charlatães.
Sabes o quanto sou necessário!
Sabes que pessoas dependem de mim para que as coisas aconteçam – seja lá como chamam no Além,mas aqui chamam-se justiça,esposa,mãe,filhos...vida. Sou um homem jovem!Meus filhos...crianças.Minha mulher...jovem e bela.
Não faço mal a ninguém. Dou comida aos beija-flores e ajudo a comunidade dando aulas e ensinando essas pobres crianças “a pescar”.Não faço política nem vivo de dízimos.Responda-me,arauto dos tempos – porque agora???

A Suprema Entidade baixou os olhos invisíveis.Suspirou profundamente e,erguendo-se ao alto de sua Onipotência,respondeu:
_Humano...eu não sei...

O homem sorriu brevemente.Novamente enxugou lágrimas discretas e por fim,declarou:
_Pensando bem,nem preciso terminar de barbear-me.Talvez nem tenhamos barba no Além...
Cézar olhou o espelho pela última vez.
Nú e sem medo, resignou-se ao seu destino e seguiu a Morte.


A lâmina,caída no chão,tingiu de vermelho o piso branco e frio .







Cézar,o Dr. Cézar,foi encontrado morto poucos minutos depois por sua esposa,Iraci,esvaindo-se em sangue e com um corte profundo no pescoço...feito por navalha de barbear!
A autópsia fechou o caso: Suicídio!
Só não explicou porque o rosto do cadáver transparecia uma serenidade desconcertante.

Ou porque,durante o velório,uma jovenzinha de onze anos perguntou à mãe,meio cochichando:
_Mãe,o homem tá sorrindo.Ele tá sorrindo,mãe...

Dois minutos depois o rosto do Dr. Cézar,com um baque surdo, foi afastado para sempre desse mundo.
Tudo que restou foi o irritante apertar de parafusos secos.




R
Só pensando...


O que é isso?
Padre pedófilo ? Tem gente que me diz:_É o fim do mundo.Isso nunca aconteceu!! Ou então – verdade,a dona falou isso - _Não é culpa deles;Satanás é quem tenta!!
Sinto muito,mas é como dizer que sapatão é coisa da modernidade,viadice é desvio ,e pedofilia é o sinal dos tempos.
Minha avó casou com doze anos.Aos treze teve meu tio mais velho;aos dezessete, meu pai.
Ah! mas o pai dela consentiu! É assim...ou “era” assim? Peraí...e as leis? Minha avó não era...menor?
Caso para pensar; o que realmente é “ser de menor” . O que realmente é estar protegido por uma lei hipócrita que finge que meninas de dezessete anos são crianças,embora façam,na boa,milhares de brasileirinhos todos os anos?
Como supor que padres pedófilos são coisa de Satã,ou da modernidade,ou da proximidade com a Batalha de Meggido? Ou que homossexualismo é modismo,sexo grupal é novidade ou político porco é invenção brasileira!
Não dá para competir com a mediocridade,a hipocrisia e a cara de pau dessa sociedade que diz querer justiça,e vai xingar o advogado de defesa do casal Nardoni! Se fossem os filhos desses imbecis que estavam na porta do tribunal ,com certeza porque tem tempo para isso (eu não tenho),o que fariam?
Será que não está na hora de parar de fingir que a humanidade segue regras? Oh! bem...segue. Mas a verdadeira “cara” do ser humano se manifesta em sites de violência, “desvios” sexuais e brutalidade manifesta em estádios,briga de gangues e criminalidade descontrolada.
Vou terminar com uma cutucada básica : a sociedade hipócrita da Silvia Popovic ou do – Arrghh! – José Luis Datena,gosta de falar um bocado,enquanto milhares de “crianças “ se prostituem para caminhoneiros e passantes,que compram sexo pela quantia de um lanche!E sabe quem alicia essa meninas? As mães!!
E será que quem consome esse “produto” oriundo da classe baixa,é pobre também??
Pensa nisso!!

11 abril 2010

Desculpe, Vinícius...hoje é domingo.Sábado...foi ontem!!

Hoje é domingo.
Domingo tem aquela coisa gostosa de levantar mais tarde. O café lerdo,quando não se levanta direto para o almoço.
Domingo é assim.E se não fosse por anteceder o pior dia do mundo – a segunda-feira – seria um dia perfeito!
Logo cedo os casais aproveitam para tirar o atraso – durante a semana,nem pensar ! Aí liga a TV no quarto,dá uma coçadinha e lá está: num canal,missa;no outro,um palhaço de terno prega o fim do mundo se você não for “sócio” da igreja dele.Voce aperta o botão do controle e pronto:programa sobre pescaria.Que tédio!!
(Voce já reparou que nesses programas sobre pesca o “fulano” faz uma baita força para tirar da água um “coitado de dois quilos” ? Aí ele pega o bichinho,levanta para a câmera e diz: _Beleza de matrinchã.Coisa lindaaaa!
E o peixe lá; machucado,asfixiado,traumatizado... aí ele solta o coitado e exclama:_Vai,garotão;vai...tú é lindo demais!! O pobre peixe desaparece na água,mas como está ferido,estressado e assustado fica lá;suscetível a infecções,doenças,e por aí vai.É a tal “pesca ecológica”! Ah,vai ser hipócrita assim no inferno,mané!!)
Meu vizinho – tenho certeza – vai lavar o carro hoje de manhã.E na esquina,no Bar da Rosinha,nove e meia já tem frango “rodando” na máquina.
Lá no avenidão as gordinhas já estão suando faz um tempinho.Em duas,ou em três,aceleram o passo naquele misto de passeio e “corridinha”.Rabo-de-cavalo,óculos escuros,e aquele collant preto que ficava perfeito...oito quilos atrás! O rapagão bronzeado e sem camisa passa correndo.A mais “cheinha” delas suspira e pronto... lá foi o pé na assinatura daquele Collie enorme que vai lá na frente.
Domingo é assim.Tem família que vai almoçar no rodízio de beira de estrada; tem família que já começa cedo a alimentar a churrasqueira e atiçar um”foguinho” da hora.Na minha cidade,chama-se “queimá uma carninha”! Lingüiça,fraldinha...Putz,vai faltar cerveja.Oh! mané...
Todo mundo no supermercado.
É...domingo é assim.O povo voltando da missa,os evangélicos de pastinha pela rua...
Dim-doommm!
_ Pois não?
_A senhora teria um minutinho? Gostaríamos de deixar um mensagem sobre a Bíblia!!
_Desculpe...eu sou espírita!
É só crente que voa.Eles acham que espirítas tem coisa com o Demo; é melhor ficar beemmm longe!
(Certa manhã uma fulana dessas - uma evangélica – parou para me “atazanar”. Não agüentei: perguntei se tinha marido,filhos,pais...e ela afirmou que assim.E porque ,eu disse,não está lá cuidando deles ao invés de ficar “batendo perna” na rua? CARIDADE COMEÇA EM CASA,FILHA!! A “crentola” nem respondeu.Mas deu certo – ela se mandou rapidinho!)
Mas...todo domingo é assim.E todo mundo curte como gosta,ou como pode.
Mas uma coisa é certa: embora todo mundo diga que não assiste,TODO MUNDO sabe quem foi no Faustão e como terminou o “Fantástico”!
É igual àquela abominação chamada BIG BROTHER.Todo mundo diz que é uma droga,mas TODO MUNDO conhece os participantes e sabe quem vai para o tal “Paredão” (que porra é essa?).O Danilo Gentili está certo: paredão sim,com direito a metralhadora e último pedido!
E tem idiota que fica assim,enchendo o próprio Blog com conversa mole e papo-furado.Bom,hoje é domingo,e eu acho que tenho direito de ser domingueiro também...do meu jeito.
Bom domingo R

10 abril 2010

LOUCO 1/2/2007





Eu sou louco.
Pelo menos é o que dizem os médicos,os terapeutas...até minha família,se é que ainda tenho uma.
Moro nessa clinica a mais ou menos dois anos.Meu quarto é assim,um estranho misto de cela com apartamento de hotel barato.
Por dentro tem o usual:cama,criado – mudo e abajur.Por fora,é isolado do mundo por uma porta de ferro com uma desconcertante e indiscreta...janelinha.Um postigo grosseiro que serve para lembrar-me que posso ser “invadido”a qualquer momento.

Mas,como eu dizia,sou louco.
E como louco posso xingar,berrar e dizer verdades na cara de qualquer um – tenho carta branca simplesmente por que sou ...louco!

Meu mundo é único e intimista.
Como louco ,não preciso partilhá-lo com ninguém.Em meu mundo exclusivo,sou rei e súdito,presidente e indigente...tanto faz!

Meu psiquiatra diz que quer adentrar esse mundo alternativo.
_Confie em mim,ele diz.
Como posso confiar em alguém que me considera indigno de confiança? Que me acha...louco?
Fico pensando em quais parâmetros ele se apóia para dizer,categóricamente,que eu sou “fora do ar”.
Pessoas como ele passam o dia vendo adultos babando por corredores,mulheres gritando em meio a uma solidão dopada com remédios,jovens desesperados conversando com criaturas imaginárias...
Ao fim do dia entram em seus carros caros,vão para suas casas e esposas também caras;tomam algumas doses de uísque e,depois de um banho e um viagra,transam com suas mulheres pensando na enfermeira jovem que fazia plantão semana passada.
No fim de semana vão velejar ou dividir a pescaria com outros colegas,lógico,médicos também.
E enquanto tudo isso acontece os loucos estão lá,bem longe,babando e pedindo pela ajuda invisível,enquanto são dopados para não incomodar ninguém.

Semana passada vi dois enfermeiros apostando sobre quanto tempo um paciente levaria para ter uma crise de histeria sem medicação.
Aliás,você pode sofrer abusos e maus-tratos à vontade – não adianta pedir ajuda ou denunciar.Voce é louco,e ninguém acredita em você.
É horrível saber que nada do que você diz é levado a sério.Tanto faz você dizer que ama,ou que odeia.Tanto faz dizer que está triste,ou está feliz.

Se diz que viu,imaginou.Se diz que não viu,é porque vive alienado do mundo real.

E você,que acabou de ler esse desabafo,com certeza não vai pensar muito sobre isso.Afinal,eu sou louco...e ninguém presta atenção no que os loucos dizem...ou escrevem.

Mas na próxima vez que passar em frente a um hospício,pare uns minutos.Olhe atentamente à sua volta,ligue o rádio do automóvel e sintonize um noticiário.Preste atenção nas pessoas e no que estão fazendo.

Perceba que o que nos separa talvez seja,simplesmente, um muro alto e um véu de indiferença.




R

08 abril 2010

PENSAMENTO DE MANHÃ,À TOA...




Na curiosa mecânica da vida,nada é realmente desumano.Olhando com critério,entende-se que nada pode ser desumano,que nada é verdadeiramente contrário à natureza intrínseca disto que somos,criaturas com ares de criadores;inconstantes com arremedos de conhecimento de causa e consciência do absoluto.

Desumanidade é um termo que nos define como algo que não somos,como uma realidade que imaginamos existir,mas não existe.
Humanidade é a única condição possível,e é nela que devemos procurar o senso e o ensinamento para o desenvolvimento da própria razão.
Julgamos algo desumano como se matar não fosse humano – é o que mais fizemos na história das civilizações – ou como se a crueldade fosse um desvio comportamental mais comum em tigres ou tubarões.
Taxamos de desumano a cobiça e a ambição desmedida,mas ensinamos aos nossos filhos que devemos ser bem sucedidos acumulando bens e riquezas materiais.Não me lembro de nenhuma criatura “ desumana “,como por exemplo um porco-espinho,que ensine algo assim aos seus filhotes.
Lidar com a humanidade, suas falhas e desvios talvez seja o único caminho para o crescimento real de uma raça que,embora não tão jovem,reluta em acordar para a própria potencialidade.
Entender os defeitos dessa “humanidade “ desumana pode ser o início da visão,e o caminho para o não mais mentir sobre a própria condição dessas criaturas que realmente somos.
Não nos espelharmos no sonho,crendo-nos divinos,nem nos imaginarmos perfeição imperfeita;talvez esteja aí o segredo da evolução que a tanto tempo esperamos e precisamos.E vemos tantos,e em em tantos lugares, correndo atrás do metafísico,explorando o cabalismo primitivo,orando a deuses imaginários e sonhando que a paz deve ser um presente,e não uma conquista.
Evolução passa por crítica e percepção,dois elementos importantes no julgamento de tudo.
E humanidade é a única coisa que realmente temos.
E é nosso único atributo.
E dele devemos retirar o melhor que pudermos.


RICARDO
Confesso ter relutado a criar esse blog,mas tive uma ajuda preciosa e um incentivo especial.
Porque livre pensamento?
Numa época onde todas as formas de pensar parecem controladas por "poderes" ocultos,filosofias de bueiro e religiões que dão respostas sem detalhar as perguntas,pensar com uma certa liberdade parece ir contra tendências,modismos e politicas medíocres.
(Já parou para pensar na mediocridade? Olhe à sua volta e veja o País do Seu Lula crescendo em ufanismo barato enquanto crianças de três anos "fuçam" lixões para não morrerem de fome.É isso aí,Sr.Presidente;vai comprando Caças milionários que o seu povo já está "caçando" o sustento no lixo faz tempo!!)

Livre pensamento...significa um pensamento que é SEU! Será que ainda há tempo??